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Sábado, 6 de Março de 2010

O geekismo português

O geek, que é mais parvo que o bully e em muito maior número, está forte em Portugal.

O geek já não é o miúdo inteligente com altas notas e uma paixão incompreensível por tudo informático e electrónico. O geek é agora o miúdo parvo que compra online os peluches de 22cm dos filhotes dos seus windriders do jogo World of Warcraft.

Isto é o que está a acontecer em Portugal: miúdos grandes, de canudo na mão e emprego nos pés, gastam horas online em “quests”, em torneios, em simples “levelling up” dos seus personagens favoritos com o propósito do fixe. Sim, do fixe. Basta perguntar porque é que perdem horas a dar cara e corpo aos personagens nos jogos e a resposta recebida é “Porque é fixe”. Perguntem-lhes porque é que gastam as suas horas livres, seja as de almoço ou nocturnas, a vasculhar mundos virtuais em busca de armas e armaduras para os seus personagens em vez de saírem, socializarem e conhecerem mundos reais e a resposta é “Porque é fixe”. E adivinhem ainda qual a resposta para a pergunta “Porque é que gastaste €25 num peluche dum leãozinho com asas e um simbolo tribal à frente, e mais ainda, porque é que o trouxeste para o teu local de trabalho, sendo tu um homem de barba feita e sendo os teus colegas pessoas que já estão a tentar fazer pela vida?”. Pois a resposta é mesma. Tentem ainda “Porque é que encomendaste um rato de computador do WoW de €68 com 15 botões para oferecer ao teu namorado quando ele pode muito mais fácilmente usar as 52 teclas do teclado?”. Confesso, aqui a resposta diverge: “Porque é o rato oficial do jogo e porque é fixe.”

A meu ver, eles não têm explicação para fazerem o que fazem.. tal como o bully. Para eles, ter 28, 30 ou até 39 anos como uma minha colega de departamento (sim, uma mulher), não é razão suficiente para deixarem de saber de cor e salteado os nomes dos items, das roupas, das localizações, das magias e golpes, das evoluções das suas montadas, dos inimigos e monstros, de como derrotá-los e de como entrar para as “guilds”, que nada mais são que grupos de geeks ainda mais geeks ao ponto de se juntarem em bandos.

Mas o geekismo não pára no fenomeno WoW. Para além de milhentos outros jogos MMORPGs ainda existem os presenciais, os não virtuais. Estes involvem jogos de cartas como Magic the Gathering e Yu-gi-oh, constituidos por rectangulos coloridos com imagens e informações supostamente suficientes para despoletar autênticas batalhas na imaginação dos participantes. O mesmo acontece com os jogos de tabuleiro, muitas vezes o mesmo Warcraft, que envolve gastar pilhas de massa em “soldadinhos de chumbo” com formas de monstros que ainda por cima não vêm pintados, obrigando assim os geeks a passarem ainda mais tempo “indoors” a pintar as suas miniaturas para as utilizarem no mesmo género de batalhas imaginárias dos jogos de cartas e dos mundos virtuais.

E eu perguntei: “Explica lá porque é que te vais levantar as 4 da manhã, fazer uma viagem até Lisboa gastando dinheiro em gasolina e portagens e pagar uma noite num hotel? Não tinhas um motel mais próximo para estares com o teu namorado?”

E a resposta: “não é nada disso. Ele vai participar num torneio de Warcraft (versão soldadinhos de chumbo) que vai decorrer este fim de semana em Lisboa!”

Medidas a ser apresentada pelo governo:

Retirar os Magalhães aos putos antes que se tornem adultos parvos

Retirar todos os apoios ao desenvolvimento das novas tecnologias da informação que permitam a proliferação de jogos parvos

Retirar os apoios sociais a pais cujos filhos participem em tais parvoíces

Aumentar exponencialmente as taxas alfandegárias para a entrada em Portugal de jogos, novidades e todo o merchandising relacionado com tais parvoíces.

 

publicado por correio-azul às 12:08
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1 comentário:
De Dylan a 9 de Março de 2010 às 17:29
O caso de bullying ocorrido em Mirandela vem expor à saciedade a gravidade desta praga. O problema já ultrapassou os portões escolares para entranhar-se de uma forma asquerosa na vida social e no local de trabalho. Porque não estamos a falar apenas de uma obsessão pelo poder, da dominação sobre um indivíduo, mas de um agressor que ameaça tornar-se num potencial criminoso. Esta forma de intimidação pode ter tido origem dentro do ambiente familiar onde a educação infantil não foi devidamente acautelada. A escola de Mirandela foi a primeira a descartar-se, por isso, à semelhança do que aconteceu noutros países com casos semelhantes, deveria ser duramente responsabilizada, começando pelo autismo das chefias e reforçando a vigilância preventiva de todos os intervenientes do sistema educativo.

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