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Reactor 4

esquerda snowflake, lobo marxista easylado@sapo.pt

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Sócrates na Sic

19.02.08 | Bruno C.

Da entrevista de Sócrates ontem na Sic ficamos a saber porque é que é ele é o Primeiro-Ministro.

Simplesmente porque é mais inteligente que os jornalistas (numa encenação muito americanizada mas pouco eficaz) e esta numa liga completamente diferente da quimera bicéfala do PSD, dos populistas radicais do CDS-PP e de todos que representam a esquerda em Portugal.

 

Kosovo

19.02.08 | Bruno C.

Não sei qual é o mal menor, se o Kosovo na Sérvia, um Kosovo na Albânia  ou um Kosovo independente mas uma coisa tenho a certeza a forma como foi feita esta muito muito errada. Para uma transformação desta importância é necessário sempre um período de transição nunca pode ser feito de um dia para o outro.

E nunca se deve criar um país apenas por capricho dos EUA.

Vamos ver como se vai resolver esta embrulhada.

A febre da videovigilância

19.02.08 | Cláudia Simões

As estatísticas dizem que os pedidos para instalação de câmaras de videovigilância não só aumentaram drasticamente no último ano, como esta é uma tendência que se tem vindo a verificar.

Esta é uma moda que estamos tal como outras, a importar dos nossos amigos americanos. São compreensíveis os motivos culturais que os levam a de uma forma paranóica vigiar tudo que mexe. Estes têm uma cultura do medo (muito bem documentada por Mickel Moore nos seus trabalhos) que impõem às pessoas; uma cultura que valoriza a segurança em detrimento da liberdade, uma cultura religiosa e cristã reflectida num Estado pouco laico que diz punir os mas sob o preço de uma vigilância e controlos tão apertados que roça o doentio.

Mas nós europeus não somos assim. Estamos habituados a uma democracia saudável com Estados laicos que valorizam a liberdade sem descurar a segurança. No entanto esta tendência está a ser invertida com a importação de comportamentos que não são nossos, com a importação do medo americano, esse sentimento primário que tanto nos é necessário quanto quando descontrolado poder fazer refém o nosso espirito sob a falsa promessa de segurança física.

Pois eu pergunto, quantas vezes é que esses circuitos funcionam quando são precisos? Não conseguirão os supostos meliantes facilmente ludibriar essas máquinas? Temos sim que combater a criminalidade qualquer que ela seja, mas sempre a montante, evitando que ela chegue a acontecer.

Banco Northern Rock

18.02.08 | Cláudia Simões

O governo britânico vai pela 1ª vez em quase 40 anos nacionalizar uma instituição, neste caso o banco Northern Rock. Esta decisão foi tomada pelo ministro das finanças Alister Darling por considerar ser a forma mais correcta de defender os interesses dos contribuintes.

Ora esta é uma medida inédita que vem contrariar não só a tendência britânica como a tendência geral do ocidente de décadas de sucessivas privatizações e de recusa em nacionalizar fosse o que fosse. Esta medida vem contrariar as medidas não intervencionistas do Estado na economia ou em tudo o ao mercado diz respeito.

Será esta medida, um caso isolado, uma excepção à regra? Ou um 1º passo para a inversão de uma tendência totalitarista da economia e do liberalismo de mercado? Estará o Estado britânico mais atento aos interesses e necessidades das pessoas, necessidades e interesses esses que o mercado não pode ou não quer satisfazer ou defender? Espero que este olhar do Estado para as pessoas se repita mais vezes e que este as veja cada vez mais como pessoas e menos como simples contribuintes.

Espero que este gesto seja seguido por outros Estados que ingenuamente ou negligentemente confiam na boa vontade das empresas para satisfazer os interesses das pessoas quando na verdade o que estas empresas querem é fazer dinheiro, o que na minha opinião está na maioria das vezes no espectro oposto.

Na minha opinião o liberalismo de mercado como os capitalistas o defendem é tão utópico quanto o comunismo que os comunistas defendem.

9 vacas por 1 Fato-de-Banho!

17.02.08 | Bruno C.

Já foi na semana passada mas não deixa de ter piada! Um fato-de-banho usado pela actriz  Nicole Kidman foi leiloado na Suécia, e o dinheiro que o fato-de-banho arrecadou permitiu comprar nove vacas, que irão ser enviadas para famílias pobres da Índia!

Eu não sei qual é a ideia deste ONG Sueca mas certamente que as famílias carenciadas não vão poder comer as vacas! Por isso o verdadeiro alcance desta iniciativa escapa-me! Será que as famílias se vão manter só com o leitinho dos animais?

Os europeus são sempre umas cabecinhas pensadoras...

Alguns esclarecimentos ao Sr. Deputado Pedro Mota Soares

16.02.08 | Bruno C.

Depois de ler um artigo do Sr. Deputado Pedro Mota Soares (Meia Hora dia 15/02/08) perguntei-me como seria possível sair tanta barbaridade da boca de uma pessoa, mesmo tendo em conta uma possível educação moral e religiosa aquando da sua socialização primária. Afinal de contas é um deputado, deveria ter mais prática de reflexão.

Este Sr. Apresenta uma quantidade de questões que o perturbam e para as quais estranhamente não encontra resposta. Pois eu, ciente das minhas limitações vou tentar responder a estas questões e assim contribuir para um sono mais descansado deste deputado.

O Dr. Pedro Mota Soares (espero não me ter enganado no titulo), pergunta como é que apenas 6000 mulheres praticaram a IVG contra as 20 a 40 mil previstas. Esta é fácil. Portugal ainda sofre os efeitos de uma longa ditadura que aprisionou as mentes dos portugueses e esses efeitos são ainda visíveis através de uma alta taxa de analfabetismo, iletrassia e tacanhez. Dessa tacanhez e preguiça de pensar, herdadas do tempo da antiga senhora, ainda apalpamos os moralismos e concepções religiosas que castram as mulheres enquanto tais. A acrescentar vivemos num pais e de um modo geral, num mundo em que as mulheres têm ainda pouco voto a matéria, trabalham mais, ganham menos, têm mais encargos sociais e familiares que os homens, enfim ainda são vistas (cada vez menos) como inferiores a quem lhes deu a costela e serviu de molde para elas existirem. Disto somado resulta vergonha. As mulheres ainda têm vergonha por estarem a praticar algo que até há um ano era considerado pela lei um crime e algo que ainda hoje é visto como algo moralmente desprezível. A vergonha é dos sentimentos mais subestimados. Mesmo hoje com a lei do lado da escolha das mulheres, estas têm vergonha ainda hoje há abortos clandestinos. Um ano é uma migalha no tempo necessário para se mudarem mentalidades.

Depois este Sr. Pergunta quantos estabelecimentos terão os serviços de apoio psicológico e assistência social previstos. Tenho que concordar que o governo está a falhar redondamente nesta matéria o que ainda assim não é suficiente para por em causa a descriminalização do aborto.

Do que mais gostei foi quando o Sr. Deputado questiona por quê que os médicos objectores de consciência não podem participar nas consultas de aconselhamento. Ou este senhor é mesmo um anjinho ou então é um fingido populista que nos toma por minhocas ou corpos amorfos que se arrastam pelo mundo sem o mínimo de pensamento na cabecinha. Se um médico não se consegue distanciar dos seus moralismos ao ponto de se considerar incapaz de praticar um acto médico como a IVG, também é igualmente incapaz quando se trata de aconselhar uma mulher que se encontra num momento de fragilidade emocional e vulnerabilidade. Aliás a palavra não é aconselhar, mas informar. O conselho é sempre algo direccionado e opinativo. Já agora por que não pomos padres nas consultas de apoio? Aposto que a taxa de abortos ia diminuir em flecha.

A pergunta seguinte é realmente a mais hilariante, na qual o deputado fala das mulheres que realizaram neste último ano mais do que aborto. Não tenho dados para negar nem confirmar esta afirmação do Sr. Deputado, mas o certo é que se isso aconteceu alguma vez foi um acontecimento isolado. Queira o senhor deputado saber que abrir as perninhas para uma data de médicos e enfermeiros que andam a escarafunchar e a raspar o útero não é dos métodos contraceptivos preferidos das mulheres. Ao contrário do que possa pensar as mulheres não gostam de fazer abortos (numa outra oportunidade explico-lhe as motivações por de trás do fenómeno).

Quanto ao facto do Dr. Pedro achar o aborto um fenómeno dramático, tenho de concordar. Não sou a favor do aborto, mas da possibilidade das mulheres escolherem fazer um aborto sem serem presas criminalizadas isso. E não é por algumas mulheres sofrerem por não poderem ter filhos que aquelas que não consideram a altura ideal para terem um, não poderem abortar. Esta é uma ironia da vida e como tantas outras temos que viver com ela. Será que nunca deixou comida no prato? Pois, com tanta gente a morrer à fome, como é capaz? O Sr. Deputado sabe disso tanto quanto qualquer um de nós e é populista e infantil vis dizer o que disse.

Estas coisas acontecem e só podemos fazer o nosso melhor para colmatarmos estas diferenças. Acredito num Estado de Previdência apoiado na vontade, boa fé e solidariedade de todos, que toma conta de nós o melhor que pode.

Apesar da sua educação moral e económica de direita este senhor junto com muitas outras pessoas deveriam ser mais honestas, moral e intelectualmente honestas. Toda a gente tem direito a uma opinião, mas isto não é uma opinião, é um logro. Não espero muito de um deputado de extrema direita, mas no mínimo fica-lhe mal.

 

Post escrito por Cldsimões