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Reactor 4

esquerda snowflake, lobo marxista easylado@sapo.pt

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Tibete 50 anos depois

10.03.09 | Bruno C.

Quando se assinala os 50 anos da ocupação chinesa do território do Tibete muitas vozes se levantam para condenar os chineses.

O que não se fala tanto é que Tenzin Gyatso chegou a ser o monarca de uma teocracia absolutista que, até 1951, ainda mantinha um regime de servidão. Com excepção de poucas centenas de famílias nobres, todos os tibetanos eram servos ligados a terras pertencentes a aristocratas ou mosteiros budistas.

O que também ninguém diz é que o 14º Dalai Lama, que assumiu seu posto em 1950, tentou negociar com os comunistas para manter o poder, nem que, após a revolta anticomunista de 1959, passou a receber mesada da CIA para, no exílio, continuar a luta pela independência.

Também duvido muito que a China tenha transformado o Tibete num inferno, limitando-se a extrair as riquezas sem dar nada à população local. O PIB per capita dos tibetanos cresceu 30 vezes quando comparado a 1950, a população passou de 1,2 milhão para mais de 3 milhões. De acordo com as Estatísticas do Governo Chinês, a média dos salários pagos no Tibete é das mais altas do país. A China também criou uma rede de ensino pública da Província (antes só havia educação religiosa) e instalou centros de pesquisa científica. Sob o domínio de Pequim, a mortalidade infantil caiu de 430 por mil nascidos vivos em 1950 para 35,3 por mil em 2000. No mesmo período, a esperança média de vida saltou de 35,5 anos para 67. Agora temos que compreender que o regime chinês é uma ditadura, não só no Tibete mas no país todo.

Tirando, entre os séculos 7 e 11 em que o Tibete constituiu um império, desde o século 18 que o Tibete esteve sobre o domínio Chinês. Por isso parece-me bastante razoável dizer que os tibetanos apresentam uma cultura distinta da chinesa, e devem ter direito, senão a um país (o próprio Dalai Lama já renunciou a essa pretenção), pelo menos a maior autonomia administrativa, que lhes permita preservar sua identidade. No entanto no mundo da diplomacia nem a Índia, que serve de sede para o governo tibetano no exílio, reconhece o Tibete como país independente.

Raramente no mundo real, as guerras têm um lado bom e um lado mau. Muitas vezes os bons não são assim tão bons nem os maus só trazem desgraça.

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