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Reactor 4

esquerda snowflake, lobo marxista easylado@sapo.pt

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A crise da fé

25.04.10 | Cldsunshine

Perante o alarido da vinda do Papa Bento XVI a Portugal, começamos a questionar a razão para a diminuição não só da religiosidade em Portugal como a diminuição do catolicismo.

A diminuição da religiosidade ou da crença em geral não se deve ao facto das pessoas terem perdido os seus valores como é tão apregoado pelos arautos da desgraça. As pessoas têm muitos valores e tão ou mais fortes como antigamente. Sim, os valores são diferentes, temos valores como o consumo, o trabalho ou a beleza que competem com os valores de solidariedade e bondade difundidos pela igreja católica, mas mesmos estes valores estão tão ou mais presentes que nos tempos áureos do catolicismo. Cada vez mais assistimos a campanhas de solidariedade gigantescas. Nunca as pessoas foram tão generosas e tão atentas aos flagelos do mundo. Claro que numa sociedade individualista essa atenção pode não incidir para o nosso vizinho do lado, mas incide sobre as crianças que passam fome em África ou as pessoas que perderam tudo nas enxurradas na madeira, ou no terramoto do Haiti.

No outro dia alguém me dizia que o islamismo está tão radical do que quando foi fundado e que em nada evoluiu ao contrário da igreja católica que apesar de ter cometido diversas atrocidades no passado se redimiu. Pois na minha opinião a igreja católica teve a felicidade ou a infelicidade de incidir sobretudo em países ocidentais em que o aumento da escolaridade e o consumo fizeram as pessoas questionar s dogmas da igreja. A igreja foi obrigada a se moderar correndo o risco de ficar sem fiéis. As pessoas começam a reflectir sobre problemáticas como a eutanásia, o aborto, o casamento para a vida, a contracepção é uma realidade incontornável e o casamento gay uma realidade emergente. E mesmo apesar de todo esta nova vivencia do “Eu” da liberdade, da autonomia há pessoas católicas. Há pessoas que casam já grávidas, pais solteiros que baptizam os filhos, pessoas que defendem ideias contrárias aos dogmas da igreja que vão à missa e que se consideram católicas.

Eu digo que a igreja não toma posições mais radicais, não é porque tenha “evoluído”, mas sim, porque se o fizer perde os poucos fiéis que lhe restam. Digo também que se não se adaptarem ainda mais à “modernidade” pode vir a perder terreno a outras religiões ou credos mais modernas e que respondem melhor às necessidades espirituais das pessoas. Acima de tudo a mensagem de Cristo de amor ao próximo é uma mensagem linda, que no entanto não precisa da voz da Igreja Católica para ser transmitida.

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