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Reactor 4

esquerda snowflake, lobo marxista easylado@sapo.pt

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Direito a Escolher - O Direito Sobre a Minha Morte

14.02.07 | Bruno C.
Além do direito ao nascimento digno, o direito a uma morte digna. Depois de tanto sururu! com o referendo e com a, grande digo eu, alteração de mentalidades porque não falar de outro problema da sociedade – o direito a morrer dignamente.
Todos nós, pelo menos os mais pensantes, temos a ideia que existe um momento em que devemos parar de tentar salvar um doente. Poucos serão da opinião que prolongar a vida de um paciente ter-minal que esteja a sofrer com dores seja um real acto de caridade. Mesmo o Vaticano, sempre tão ortodoxo defensor de tudo o que lhe lembre vida (continuo sem compreender a contradição da vida a todo custo e a morte de Cristo), é favorável à ortotanásia (recusa de ajuda). O próprio papa João Paulo II recusou tratamentos (será que recusou mesmo?), morrendo com dignidade.
Tal como no IVG existe um medo de tudo o que remotamente lembre a morte. Na assembleia o deputado que se lembrasse de propor uma lei de eutanásia seria logo visto com o “Deputado da Gadanha”. Depois dos assassinos de bebés teríamos os assassinos de velhinhos e enfermos! Mas as será que as noção de ortotanásia é assim tão diferente da eutanásia (que supõe uma acção do médico para provocar a morte).
No papel, existem diferenças entre descontinuação de tratamento, não-ressuscitação, suicídio assistido e eutanásia. Mas e na prática? No momento da morte inevitável muitas vezes não são os médi-cos obrigados a recorrer à utilização de drogas para evitar o sofrimento desnecessário do paciente. Mas estamos à espera de quê? Que o paciente fique no limiar da dor, mas que ainda possa perceber que vai morre? Para quê?
Na Europa, pelo menos três países têm legislação que regulamenta esta prática e não é por isso que se tornaram “bastiões da morte no mundo”. Na Holanda, talvez o caso mais paradigmático, a eutanásia é tolerada desde há cerca de cinquenta anos, mas só em Novembro de 2000 o parlamento aprovou legislação que a legaliza, tendo-se tornado o primeiro país do mundo a fazê-lo.
Em Portugal a lei não prevê nenhuma das formas de eutanásia e o código penal considera a morte induzida ou o suicídio assistido como homicídio qualificado, não havendo qualquer caso de jurisprudência nesta matéria.
Uma coisa é certa, legal ou ilegalmente as eutanásias ocorrem pelo mundo fora, deixar de abordar a questão apenas vai continuar a permitir que decisões vitais continuem a ser tomadas no submundo, muitas vezes à revelia da vontade de pacientes e familiares. Faria muito mais sentido criar rotinas e protocolos que confiram transparência para a prática.
É necessário reconhecer que a ciência médica é limitada, não podemos ficar eternamente à espera de uma cura que pode não aparecer nos próximos anos. Se a pessoa desejar deverá ter o direito a por termo à sua vida. Os avanços científicos não são assim tão rápidos que permitam desenvolver curas, que ainda não existem, para pacientes em fase terminal.
Nunca nos podemos esquecer que para nós vamos inevitavelmente morrer, isso é garantido.
No final lá estará o senhor do capuz e da gadanha e ele nunca tira férias.
Mais cedo ou mais tarde vai ser necessário discutir seriamente e sem hipocrisia a eutanásia.

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